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O Bulldog
Padrão comentado da raça
 

Bulldog Inglês, uma escolha sem pressa

Peter Frantzen, árbitro e criador espanhol - Canil Dos Aguas
Muito ou quase tudo poderia ser útil na hora de comprar qualquer raça de cachorro de companhia, só que no caso do bulldog determinados aspectos adquirem especial relevância pelas suas características específicas, o tipo de pessoa à qual normalmente lhe interessa esta raça e acima de tudo a forma como repercute no custo do cachorro as dificuldades de criação. Observando o catálogo da última exposição de Madri fica evidente o quanto aumentou a popularidade do bulldog na Espanha nos últimos tempos.

Começam a se ver na Espanha, exemplares seletos e inclusive considerados bons em nível internacional. No entanto, e sem querer ser muito exigente, existe muita quantidade de exemplares de má qualidade, “feinho” e meio tolo.

Acredito que o interesse e a mística que a raça gera, junto aos aspetos indicados acima e especialmente o preço dos cachorros tem favorecido para que ganhem dinheiro fácil uma série de “traficantes” mercadores da pior categoria sem escrúpulos, que se apresentam como importadores ou falsos criadores – com ou sem loja. São pessoas que em conivência ou se aproveitando da falta total de conhecimento de alguns profissionais veterinários do setor, quer por causa de interesses econômicos espúrios, conseguem fazer as fêmeas parirem demasiadamente. Há também no meio deles gente que se valendo do péssimo controle alfandegário da Espanha, nos fazem o favor de importar novas remessas de doenças, sem que as autoridades pertinentes fiquem sabendo. Logicamente, nas circunstâncias atuais, se você quiser um bulldog rápido e “barato”, se converterá no freguês ideal desta gente.

Sem a intenção de dar lições a ninguém, mas com o intuito de ajudar-lhe no momento da escolha de um ser querido com quem vai a conviver nos próximos dez anos, lhe sugiro as seguintes reflexões e recomendações que podem ser úteis: tem pensado bem o que pressupõe ter um cachorro ? Por quê um bulldog ? É uma raça apaixonante, porém não é nada fácil.

Não tenha pressa. Informe-se adequadamente. Nem todos os bulldogs são iguais. Existem diferentes linhas com suas formas, cores e características específicas dentro do padrão. Visite uma boa exposição e verá as diferenças.

Diferentes critérios na interpretação do padrão

Em depoimento à revista espanhola “El mundo del perro” o criador europeu residente na Espanha, Peter Frantzen (Canil Dos Águas) afirma com relação ao tema: trata-se, aparentemente, de um fenômeno inexplicável, se você é dono de um prestigioso campeão, que durante toda a temporada venha ganhando, sistematicamente, todas as exposições que participe, quando vai a outro país convencido de provocar entusiasmo e admiração no júri de uma exposição, e que por isto teu maravilhoso bulldog ganhará uma muito boa nota. Quantas vezes se ouvi que o árbitro tem toda a culpa, que não conhece a raça ou, que pelo simples fato de svocê ser estrangeiro não deixa seu cão ganhar. Porém, depois você fica sabendo que coisas parecidas acontecem com todos os criadores, então a gente começa a pensar que esse estranho fenômeno pode ter a ver com questões mais profundas do que a simples subjetividade ou incapacidade de um árbitro desconhecido.

Ao aprofundar no tema, você perceberá que há muitos anos não se tem variado o texto do padrão, apesar disto, os exemplares que anos atras tivessem ganhado qualquer competição hoje teriam dificuldades para defender a qualificação de “excelente”. De certa forma é natural, posto que todas as raças existentes evoluem, com as mudanças que esta evolução traz. O mais grave disto tudo é que este movimento evolutivo não se entenda como uma evolução contínua e linear, mas irregular e baseada em distintos critérios que dependem das diferentes nacionalidades e das ideologias adotas em cada país.

O único responsável pela modificação do conteúdo e da atualização de um padrão é a sociedade cinófila do país de origem da raça, no caso do bulldog , o “Kennel Club”. Apesar do “Kennel Club” também não ter variado a versão do padrão nos últimos anos. Na Grã Bretanha também se tem mudado muito os critérios de avaliação.

Os superfamosos campeões dos anos setenta e da primeira metade dos oitenta, como o lendário “Aldridge Advent Gold” (FOTO1) ou a ainda famosa “Merriveen Magnolia”(FOTO2), teriam hoje graves problemas para ganhar as exposições. A imagem do bulldog superpesado e que tenha uma cabeça quanto maior melhor – tem desaparecido.

O cachorro que hoje tem que estar dentro dos limites de peso do padrão, se tolerando uma diferença aproximada de no máximo quatro quilos, é mais curto que o dos anos anteriores, a cabeça deve ser muito grande, mas respeitando uma clara proporção harmoniosa com o resto do corpo.

Toma-se como uma falta bastante grave a ruga que está acima do nariz ultrapasse o mesmo. Por outra parte, uma estrutura óssea excelente e maciça tem muitíssima importância, sendo condição indispensável para um peito muito profundo, que por sua vez descanse sobre a maciça base de duas pernas dianteiras fortes e largas de osso.

Os movimentos se observarão exigindo que: cada participante ande primeiro em triângulo, depois em linha reta, ida e volta, e em caso de dúvida entre dois exemplares, uma ida e volta em paralelo. Isso de dar voltas e mais voltas de todo tipo no ringue, como acostumam os alemães, para comprovar a saúde dos participantes – cães e donos – não se usa normalmente na Inglaterra.

As fêmeas que antigamente eram perdoadas pelo fato de não ser tão impressionantes quanto os machos, e que deviam ter todos os atributos possíveis deles (em nosso ponto de vista isto foi conseguido só na fantástica Int. CH. D-CH., “Aldridge Adele” que além do mais nunca teve problemas de parto! com a lógica conseqüência de que lhes foi praticamente impossível ganhar o melhor da raça, agora devem ter cabeça e corpo com claras características femininas, ou seja, cabeça e corpo menos maciços e uma expressão mais fina).

Estas modificações na interpretação do padrão, somente introduzidas e sustentadas pelos árbitros especializados, começaram no famosíssimo CH. “Sandean Sophie's Baby” (FOTO3) (Top Winning Dog, 1984 e 86).
foto3: “Sandean Sophie's Baby”
Mais fotos em: http://www.theblueposts.org/wimsey/

As decisões mais freqüentes dos árbitros na interpretação do padrão

Segundo o árbitro do The Kennel Club, Bob Brampton: “Ao longo da minha carreira de árbitro, tenho sido, inumeráveis vezes, convidado à julgar também aos bulldogs. Tenho me negado de forma sistemática a julgá-los, porque é uma raça que apesar de ter um padrão normal e não muito complicado, possui tanta problemática nos critérios do detalhe que deve ser julgada somente por um criador ou especialista da mesma”.

O padrão do bulldog contém abertamente algumas afirmações que se não são submetidas a uma interpretação mais aprofundada, não podem ser entendidas, ou pior, que se seguidas à risca conduzem a critérios que quando aplicados levam a juízos errôneos. A mais conhecida como polêmica, é sem dúvida, a que descreve a relação da circunferência do crânio medido por diante das orelhas como correspondente à altura do cachorro em cruz.

Esta formulação tem causado muita polêmica. Em conseqüência, o mundo de língua alemã, liderado pela campanha do (criador) VD.H em favor de um cachorro sadio e funcional, se tem afastado consideravelmente das interpretações britânicas do padrão, baseando-se especificamente neste ponto. Porque, se medido corretamente, se poderia constatar que a grande maioria dos bulldogs que existem na atualidade tem cabeças demasiado grandes que sobressaem do diâmetro de seu crânio bastante acima da altura da cruz. Portanto só alguns poucos exemplares raquíticos, que nas exposições nunca ultrapassariam uma valorização de “bom”, conseguiriam cumprir este requisito do padrão.

Para resolver esta problemática é necessário lembrar que o melhor e sempre procurar nos textos de certa idade, que tem se formado historicamente ao longo do tempo, a solução mais simples – a mais compreensível.

Pouco provável é aquela teoria do complo contra o pobre padrão. Sinceramente acredito que a chave do enigma é simplesmente algo tão lógico como duas maneiras distintas de medir. Existe algo mais fácil e habitual que medir a circunferência do crânio com uma trena flexível e à altura da cruz com um meio rígido como um metro de madeira. Matematicamente seria, sem dúvida, um procedimento incorreto, porém, na prática da qual nasceram os padrões caninos com certeza tem sido de uso diário, e medindo assim cumprem milagrosamente os requisitos todos os campeões atuais. O problema tão discutido pode-se considerar desta maneira resolvido, porém, durante toda nossa discussão sobre o ponto em questão não se observou em nossas exposições que a polêmica tenha incomodado a consciência de nenhum de nossos árbitros.

Na descrição da boca exige-se a norma de que “ a mandíbula inferior deve estar imediata e paralela debaixo da mandíbula superior” . Eu também penso que talvez os ingleses às vezes expressam de maneira um pouco complicada aquilo que poderia ser dito de forma mais fácil.

Porém me pergunto desconcertado, quando vejo os árbitros investigando a dentadura com evidente seriedade, que procuram aí, se o padrão não exige uma dentição completa, o que é sempre problemático num cão prognato. Porém, seria de grande importância observar que a mandíbula inferior não estivesse torta, defeito altamente hereditário, e que é exatamente o que exige a norma acima citada. Não adianta que o exemplar tenha uma dentadura completa se ele tiver a mandíbula torta. Eu mesmo, muitas vezes, tenho me perguntado que faz um exemplar com a mandíbula torta no pódio de vencedor. Penso que o que o padrão não explica com suficiente clareza é que a mandíbula inferior deve ser quanto mais larga melhor, tendo como único limite a harmonia da proporção com os demais traços. Além disso, desde o centro da mandíbula se deve formar uma linha reta imaginária retrocedendo em direção à testa, ou seja, desta linha não deve sobressair nada, devendo estar completamente inclinada para cima.

“Os dentes..., não podem ver-se, quando a boca está fechada.” Isto significa que o ideal seria que a mandíbula inferior feche juntando-se o lábio superior com o inferior na parte frontal. Porém, não cabe uma desqualificação quando a mandíbula inferior sobressai um pouco à superior, deixando à vista, desta forma, parte do interior da boca, enquanto não se vejam os dentes e não se destrua a harmonia da cabeça em geral. Tenho visto desqualificações injustas por prognatismos exageradas, mesmo quando estavam dentro da margem tolerada.

“... Com barriga recolhida, não suspensa.” Parece uma disposição tão óbvia que não mereceria nenhum comentário. Porém, muitas vezes vejo fazendo parte do pódio cães que poderiam muito bem varrer o ringue com a sua barriga.

A questão do movimento no Bulldog

Pat Perkins (Árbitro Inglês Especializado)

O movimento no bulldog é universalmente um dos aspetos mais discutidos da raça. Idealmente, de acordo com o padrão do The Kennel Club (Sociedade Canina Britânica), o cachorro deve mover-se com um característico e peculiar andar pesado e compacto, caminhando com passos rápidos sobre as pontas dos pés dianteiros, dando a impressão de que os pés posteriores tocam levemente no chão. Isto deveria ser o ideal, porém não é o que se vê comumente, o qual não é estranho, na medida de que pouquíssimos cachorros se aproximam da correta formação que estabelece o padrão. Muitos cães podem ser julgados como corretos (isto é, não fisicamente coxos), porém, não coincidem fielmente com o movimento típico do bulldog.

Olhando o cachorro de frente, tem-se a largura de peito, com ombros bem musculados, deve vir na tua direção com um movimento paralelo .

Quando os ombros são escassos e a frente estreita, mesmo que o movimento seja quase sempre bastante correto, as mãos dianteiras tendem a entortar-se excessivamente para fora. O movimento incorreto mais comum provém de uma frente larga de mais, com os cotovelos soltos e os ossos das patas dianteiras arquejados. Então o movimento se torna esvoaçante, largo nos ombros, juntando os pulsos, e geralmente com pés planos.

Como a frente é consideravelmente mais larga que a parte traseira, um leve balanceio (“rolling”) deveria ser evidente quando o cachorro se move.

Olhando o cachorro por trás, os quartos traseiros aparecem mais estreitos que a frente e devem mover-se com um passo curto e potente, com os jarretes levemente virados para fora.

Observando o cachorro de lado, ele deveria mover-se com facilidade com um passo equilibrado na dianteira e mantendo a correta forma escarpada (“roach back”) na parte posterior.

Os bulldogs não foram feitos para mostrar seu correto movimento correndo, é um erro fazê-los correr ao redor do ringue, um rápido caminhar lhes permitirá mover-se de maneira harmoniosa e com o desejado balanceio.

O movimento do Bulldog

Peter Frantzen – Criador Espanhol – Dos Águas

“Por isso as pontas dos jarretes ou curvilhões fazem com que se aproximem mutuamente, e os pés traseiros se viram para fora.” No entanto, em todas as traduções do padrão que vi até hoje, se substituem as “pontas dos jarretes” só por “jarretes” , esta confusão pode ser causada pela falta de diferença vocabular – no idioma inglês – entre os jarretes e suas pontas. No entanto, parece que até hoje ninguém reparou no fato de que um cachorro que tivesse os jarretes muito próximos não poderia andar...

Desta forma nossos aprendizes de bruxos estudam o padrão com todas suas contradições incompreendidas para o exame e depois cada um julga o que bem entender, se esquecendo que esta descrição é, sem a menor sombra de dúvida, uma das mais importantes, já que explica parte do movimento tão característico da raça. Pela posição dos pés traseiros, virados para fora, a impulsão do movimento das patas se direciona ao centro das posteriores. Se se observa durante os movimentos demasiada desenvoltura, a ponto de impedir o balanceio do trem posterior, há sérios indícios de deformações ou displasia.

Da mesma forma que os pés traseiros os dianteiros também estão voltados para fora, porém esta tendência não deve ser muito acentuada.

Freqüentemente se vê que o expositor tenta posicionar os pés totalmente retos. Esta posição é tão falsa quanto os momentos que o juiz não vê que os pés se viram excessivamente para fora. Deve-se observar neste contexto que o desvio dos pés dianteiros para fora deve ser sempre menos acentuada que a dos pés traseiros.

A cauda é de implantação baixa, gira apontando para abaixo e nunca sobressai da parte traseira. Parece simples e fácil de entender, mas tenho visto ultimamente o aumento de exemplares com a cauda implantada alta, inclusive alguns com a cauda elevada para cima, e também – mesmo que em menor quantidade – alguns com a cauda sobressaindo da parte traseira.

As deficiências com relação à cauda não são das mais importantes, porém representa uma falta. A cauda do padrão é cônica, curta e reta, com uma dobra para baixo. Na verdade essa cauda se encontra – a do padrão – numa minoria dos casos. A cauda redonda e dobrada, também chamada de “estrela” é a mais habitual e sem dúvida aceita, apesar de não ser a mencionada no padrão; sua presença não deve provocar no juízo nenhum tipo de punição, no entanto é preferível a outra.

Voltando ao capítulo dos movimentos, que é o mais problemático, porque é o quesito onde existe mais barbaridades. O movimento e sua valorização são de fundamental importância, desde que o árbitro seja consciente de que não está julgando nesse momento Pastores Alemães.

O movimento correto é o característico do bulldog, incorporado a sua constituição e anatomia. Qualquer tentativa do árbitro de utilizar aqui critérios que têm sido aplicados a outras raças o conduzirá a valorizações erradas e injustas. Porém, a saída desta difícil questão não deve ser, não julgar os movimentos de forma alguma ou excluir a avaliação deste quesito da valorização geral do cão, coisa que lamentavelmente acontece com muita freqüência na Inglaterra.

Sem dúvida o fato de deixar do cão dar umas voltas pelo ringue, com toda a classe, antes de começar a examiná-los, não facilita de forma alguma os juízos. Os movimentos devem ser valorizados pelo árbitro que entende da raça ao final do exame individual de cada exemplar.

Para realizar este exame é suficiente pedir um percurso em triângulo e um em reta com virada. Estas figuras o cachorro deve caminhá-las e não com lentidão, como habitualmente se vê nos ringues. O ideal é sem dúvida, que o cachorro ande com vontade. Os cachorros que o apresentador deve conduzir pelo ringue tem deficiências de movimento, ao menos naquele dia, e esse dia que o árbitro esta avaliando e valorizando. Também não é compreensível quando o árbitro pede ao expositor que frei os movimentos corretos de seu cachorro, para andar mais lento, porque o padrão pede passos curtos e rápidos. O outro extremo também é freqüente, quando o árbitro demora uma enorme quantidade de tempo no exame dos movimentos e depois isto não se reflete na valorização da classificação geral.

Nos casos que o árbitro, depois de exames individuais, ainda tem dúvidas de quem possui os melhores movimentos de dois exemplares, ele pode pedir que eles repitam de forma conjunta e em paralelo uma reta de ida e volta. As voltas em círculos, com toda a classe não fazem mais que fadigar os cachorros. Isto não impede que no exame de aptidão de criação, os clubes exijam testes de movimento por tempo e em grupos. Mas, esta aptidão não se julga em exposições.

Ainda persiste a pergunta: Quando o movimento é ideal ? Este ideal se cumpre quando o movimento das patas dianteiras se produz totalmente reto em paralelo, deixando toda a largura do peito ao centro e puxando os pés por diante, de maneira que quase não se dobrem as articulações dos metacarpos nem do cotovelo. Este movimento parece estar desaparecendo nos últimos tempos, isto acontece, obviamente, devido à falta de atenção dispensada pelos árbitro a este aspecto tão importante.

O que se vê atualmente nos ringues são movimentos muito fechados nos quais se aproximam os pés dianteiros durante o movimento, se perdendo desta forma o espaço criado pelo peito. Lamentavelmente os árbitro parecem penalizar este fato só quando os pés se tocam ou se cruzam. Este pode ser um critério válido para outras raças, porém no bulldog, a deficiência começa quando o espaço livre entre as patas dianteiras não forma um retângulo da largura correspondente à profundidade do peito entre as patas na hora do movimento.

Outro problema que pode se observar é um desvio para fora, numa das patas dianteiras, com forma de meio círculo na hora de caminhar, isto produz a impressão de que o cachorro tenta remar. Sem dúvida trata-se de uma deficiência de movimento, mesmo sendo muito mais leve que o andar fechado. Tenho visto esta deficiência tanto na Espanha quanto na Inglaterra e percebi que os árbitros britânicos não avaliam de forma muito negativa este desvio.

Um tema não mencionado no padrão, porém altamente desejado por árbitros e criadores, é a existência de um anel escuro e completamente fechado de pigmentação em volta dos olhos. A interrupção deste anel não e uma deficiência fundamental, mas é especialmente não desejada, ainda que – tem exceções que confirmam a regra – esta deficiência não impediu que um exemplar como “Hiising History In A Moment” (FOTO) ganhara a raça no Cruft's 95. Mesmo assim é preciso lembrar que a decisão do árbitro, nesse caso, foi muito discutida.

Finalmente devemos mencionar os chamados “sobre-tipos” ou “hiper-tipos”. O padrão (nas suas especificações) é bastante claro e qualquer exageração de suas normas que ultrapassem as tolerâncias estabelecidas considera-se deficiência grave. Mais uma vez, não existe melhor exemplo do que Inglaterra. Existia há um tempo atras, naquele país, uma classe de supercampeão com uma pequena deficiência na largura da mandíbula inferior que ganhou tudo! esse exemplar era apresentado pelos árbitros como o ideal de bulldog em potencial.

Lamentavelmente essa deficiência se herdava e com tendência a aumentar. A situação chegou a tal ponto que hoje é difícil achar um pedigree no qual não apareça este cachorro, ainda que só a partir da terceira geração. Isto fez que atualmente, na Inglaterra, a luta pela mandíbula mais larga seja um dos principais objetivos dos criadores. Em vista desta situação se deve exigir que os árbitros não se deixem impressionar por um sobre-tipo, já que neste caso também poderia julgar o espectador como um simples aficionado que esta no outro lado do ringue. Extremamente lamentável é o comentário de um árbitro que diz: “Este cachorro é o padrão, mas o outro me impressiona”.

Tolerâncias são aceitas em pontos nos quais o padrão é muito rígido, a mais importante é a questão do peso. Neste ponto, segundo um acordo implícito, se aceita um aumento de até cinco quilos acima do padrão (25,5 quilos). Pode-se dizer que um bulldog de 40 quilos – e se vê alguns – não é apto para criação, ainda que sua aparência seja muito proporcionada e harmônica.

Uma cabeça cheia de rugas é também muito impressionante para o espectador que desconhece a raça, mas pode causar muito dano na criação. É neste ponto que começa a responsabilidade do árbitro. Se estes cachorros não estão nos primeiros lugares nos pódios, inclusive o menos experiente dos criadores entende o recado, e ainda que estas decisões possam não coincidir com as do público, a maioria das vezes pouco conhecedor da raça, não devemos pensar que este seja um fato trágico, muito pelo contrário, será benéfico para raça.

O que todos desejamos

Quem que não deseja um cachorro sadio e vivo, que goze da sua existência e tenha a perspectiva de uma vida mais longa a nosso lado ?

Sofremos muito durante meses toda vez que morre um de nossos amados co-habitantes, porém o que amamos verdadeiramente é raça.

Se com o passar do tempo os resultados desta reforma chegaram a ser mais sadios e naturais, ninguém tem conseguido provar até hoje. O aumento de cesarianas, a multiplicação das mortes por enfarte cardíaco e as dificuldades respiratórias tem-se observado em outras raças que não tem os problemas morfológicos da nossa, deveríamos considerar tais casos como conseqüências de fatores da bendita civilização.

Por outro lado, o que estes guerreiros da ecologia e da natureza habitualmente esquecem é que depois de dez mil anos de domesticação, de e pelo homem, não tem sobrado muito de nossa origem nem da de nossos cães. Porém, o que tem pesado muito mais ainda são as mudanças acontecidas nos últimos cento e cinqüenta anos, causadas pela progressiva revolução industrial, que eliminou múltiplas antigas funções e justificativas de existência.

Entende-se que num mundo de progressiva prosperidade se precisam menos ajudantes caninos eficazes, ultra-sadios e sempre preparados para cumprir com seu dever. A grande maioria, então, está sentenciada a desaparecer de um mundo com menos espaço para animais – e para qualquer ser vivo – e com muitas mais normas e leis que complicam a manutenção de cachorros, se não encontrarmos um espaço para todos.
Quem não sabe que fumar prejudica a saúde ou que os magros são menos propensos ao enfarte que os gordos ? Nem por isso a grande maioria deixa de fumar ou melhora sua forma de comer, apesar de estar consciente do risco. Igual a nós, que somos produtos vivos de nosso tempo e das possibilidades que ele nos brinda, é o nosso fiel amigo e companheiro cão.

Reflexo da nossa sociedade

Nosso bulldog já foi condenado a desaparecer com a proibição das lutas no ano 1845. Mas tanto o bulldog quanto outras raças somente sobreviveram por ter achado seu espaço na “perversão” que as fez criar anormalidades, e, no caso específico do bulldog , o tem convertido num típico produto do tempo da prosperidade, gordo, baixo e um pouco preguiçoso, que nunca exige passeios a seu dono, feliz com o espaço físico que um apartamento de uma grande cidade lhe oferece, ele também tem desenvolvido um fanático amor a seu amo e aos meninos dele.

A raça bulldog tem justificada sua existência e a sua demanda tem seu lugar nesta sociedade, da qual é um típico produto. Suas qualidades têm que ser ainda demonstradas pela raça que queremos criar agora, coisa que não era necessária há noventa anos porque naquela época não eram necessárias as modificações que teve que passar.

Que a esperança de uma longa vida é diminuta, que o parto natural é complicado, que não é enaltecido com os louros desportivos, que o calor o incomoda, que o enfarte cardíaco o ameaça permanentemente...

Todas estas são características de um destino que o bulldog compartilha conosco.

A variedade das raças caninas no mundo é produto da obra cultural humana, e merece respeito, mas quando, além disso, um destes “produtos” tem conseguido encontrar no mundo atual seu espaço, no qual sobrevive, acreditamos que não existem justificativas para tocá-lo.

Sob esse ponto de vista, entende-se perfeitamente a luta dos criadores alemães que tentam defender as características da raça.

Fonte: www.abrabull.com.br